Discurso encerramento Festival Pachamama

O Júri presente ao final da mostra de Longas do Festical Pachamama – Cinema de Fronteira 2016 decidiu unanimemente pela escolha do filme MARTÍRIO do Diretor Vicent Carrelli e Tita. Brasil, 2016.

A escolha percorre o fazer cinematográfico em sua essência fílmica, política, estética e social. O filme é de extrema importância dada a situação atual em que vivem as comunidades indígenas no Brasil e o genocídio que é hoje praticado pelo ruralismo e suas ramificações no Estado brasileiro.

Uma decisão assim não poderia deixar de observar a importância histórica da obra de Carrelli e Tita que escancaram as alianças, o jogo sujo e o cinismo dos donos do Latifúndio. É chocante a covardia, o aparato utilizado para massacrar diariamente populações indígenas assoladas pela ausência de uma real política de demarcação efetiva de suas terras e valorização de sua cultura.

Saber enxergar nos indígenas os guardiões da natureza e sua riqueza cultural são grandes feitos dos diretores do filme. A importância de denunciar o descaso estatal e os abusos cometidos pelos ruralistas são os pontos fortes de uma obra marcante e fundamental para entender a precariedade e violência em que os Guarani Kaiowa são obrigados a viver.

Pachamama é a Terra, os índios seus maiores protetores. Enxergar seus direitos e lutar por eles é dever de todos os que compreendem sua importância para o planeta e para o futuro das novas gerações. Denunciar, registrar e divulgar para o mundo o que acontece no Brasil através da obra cinematográfica é sim grande feito que merece reconhecimento e também agradecimento pelo trabalho prestado às comunidades indígenas ameaçadas.

O júri parabeniza os diretores pela grande obra e agradece os organizadores do Festival Pachamama pela enriquecedora experiência. Muito obrigado.

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